Pelos olhos dos outros

O desafio de ser pessoa nos coloca contra a parede a todo instante.
Essa necessidade de tomar a própria vida nas mãos
e dar a ela o rumo que a acalme é realmente empreitada digna de complicar o juízo de qualquer um.
Ter-se nas mãos é necessário, mas não basta.
Corremos o risco de não saber o que fazer com o tamanho do presente.
De ser grande demais para carregar sozinho…
De não ter o jeito certo de desembrulhá-lo. Desajeitados na busca de si mesmo, com um elefante numa loja de cristais… Se o nosso “eu” fosse só coisa nossa, acho que estariamos perdidos!
Creio ser por isso que a construção da nossa identidade passa também pelos outros.
Afirmar o outro é um jeito estranho de também se afirmar.
E o olhar daquele que nos ama, pode nos ajudar a entender muito sobre o que somos.
Uma menina me prendeu atenção a um tempo atrás …
Ela tinha um olhar bastante negativo sobre seu valor.
Vendo-se a si mesma como que com os olhos vendados.
Olhos feitos para o bem, mais não eram capazes de vê-lo.
Estavam gastos pelas dores que sentiu e míopes pelas durezas da vida… uma auto-estima estrábica…
Provoquei-a a ver bondade em si mesma…. Ela fazia muito esforço pra ver a beleza que tinha e quase não à via.
Tentei ver nestes mesmos olhos o que ela procurava.
Pois afinal, como dizem: “Só encontramos aquilo que procuramos”.
Não sei o que ela procurava… só sei que estava lá:
A beleza escondida do próprio dono… Esperando pra ser encontrada.
Nestas horas faz falta um tropeço… pra lembrar o real chão que nós pisamos,
Fazer-nos tomar a parte que nos cabe de nossa beleza e valor.
Ainda bem que o olhar de quem nos ama pode nos iluminar. Aceder as luzes do nosso quarto escuro, como quando éramos pequeninos e tinhamos certeza de ter visto vultos, fantasmas e afins…as luzes se acendiam e mostravam uma coisa que não éramos capazes de ver com as luzes apagadas..
Luzes que nos ajudam a ver o melhor de nós que ainda não somos capazes de enxergar.
A menina mencionada tinha uma beleza simples.
Toda beleza simples exige cuidado e atenção para ser vista.
Mas precisam sobretudo de olhos capazes de inaugurar.

Por Danillo Holzmann

Informes: Café com Biscoitos: Nova série e mais um colaborador

Café com Biscoitos

Salve Pessoas

A partir da semana que vem teremos mais um colaborador para o nosso blog (pois é, mais alguém pra fazer o café)  e uma nova série dessa vez com o tema sobre o Senso Religioso,

“No coração do ser humano existem perguntas que estão ligadas à raiz de todo o nosso agir, que são capazes de movimentar toda a nossa existência. Elas se expressam em questões como: “Porque vale a pena viver? Qual o significado último da realidade? Qual o verdadeiro sentido da existência?” Quando essas perguntas vêm à tona, quando elas se tornam conscientes e aparecem em nossa vida de maneira mais clara, chamamos essa realidade de senso religioso.”

Esse será o tema de nossa próxima série… Espero que curtam

Grande Abraço a todos

Danillo Holzmann

Cantar a Liturgia – Parte 03 (Final)

Salve Pessoas,

Canto LiturgicoSegue a nosso último post da série Cantar a Liturgia que propõe o método mistagógico como possibilidade de desenvolver melhor  a qualidade do nosso serviço a Deus, sobretudo na Celebração Eucarística. Seguem os três passos para tal  método aplicado ao ensaio do Ministério de Música ou sua banda.

Primeiro passo: descrição e análise da ação ritual

A música é uma ação ritual, expressão ritual de nossa fé, em forma de canto, de música. Como toda ação ritual, é feita de “sinais sensíveis” (SC 7) para expressar o mistério de Cristo e nos fazer parti­cipantes desse mistério. Quais são esses “sinais sensíveis” próprios da música ritual? O texto, a música e o contexto litúrgico. O texto (letra) tem a primazia. Olhamos seu conteúdo e sua forma literária, poética (construção do texto, o ritmo, as imagens simbólicas etc.)-Depois, analisamos a música (sons, melodia, ritmo, dinâmica, tem­po), “casada” com a letra, de forma a expressar o sentido teológico e a espiritualidade própria a cada celebração, a cada tempo litúrgico, levando em conta o momento ritual do canto. Por fim, perguntamos pelo contexto litúrgico, ou seja, a interação desse canto com os outros elementos rituais da celebração: a assembléia e seus ministérios, as leituras bíblicas, as orações, os símbolos e ações simbólicas, as ati­tudes e movimentos, a própria estrutura e dinâmica da celebração.

Primeiro momento de ensaio: deciframos a partitura, ensaiamos as várias vozes, saboreamos a beleza do texto, da melodia, do ritmo, para poder cantar bem e corretamente, do ponto de vista técnico-musical.

Segundo passo: aprofundamento do acontecimento da salvação, celebra­do na ação ritual e sua raiz bíblica

Procuramos, nas Sagradas Escrituras, uma ou várias passa­gens do Antigo ou Novo Testamento que explicitam a salvação celebrada na ação ritual que estamos focalizando (ou seja, no canto que está sendo analisado). 

Aprofundamos o sentido teológico desse aconte­cimento de salvação relatado nas Escrituras, incluindo a interpre­tação em relação à nossa realidade atual. Dessa forma, estaremos em condições de cantar “com inteligência”, fazendo com que nossa mente compreenda e acompanhe aquilo que nossa voz canta. Nos­so canto tornar-se-á um ato de fé em Deus, que está ativamente presente e atuante em nossa história.

Segundo momento de ensaio: prestamos atenção ao sentido teológico, de modo que possamos cantar com inteligência e expressar este sentido pela nossa maneira de cantar.

Terceiro passo: experiência da salvação acontecendo para nós, hoje, na e a partir da ação ritual

Agora, voltamos de novo nossa atenção para a ação ritual. Levamos em conta que o canto, na liturgia, para que cumpra seu papel, deve ser entendido e vivido como “fato de experiência”. Aquilo que o canto anuncia deve acontecer para nós e em nós, na ação litúrgica, pela realização da ação memorial. Por isso, não basta cantá-lo bem tecnicamente, nem acompanhar com a mente e com­preender o que cantamos como se fosse algo fora de nós. É preciso entrar pessoalmente dentro do rito e vivenciar a ação ritual espiritualmente, “incorporando” o canto, deixando que ele nos trans­forme, interagindo com Jesus Cristo Ressuscitado e o Espírito de Deus, que atuam na ação litúrgica. Como tudo na vida, é preciso aprender isso. Pode-se, por exemplo, no momento do ensaio, pro­por uma leitura orante e, em seguida, uma vivência da ação ritual “como se fosse” numa celebração de verdade. Somente assim será possível participar daquilo que estamos celebrando: o Mistério Pascal desdobrado em inúmeras facetas ao longo do dia, da semana e do ano litúrgico, nos diferentes tipos de celebração (missa, outros sacramentos ou sacramentais, Liturgia das Horas ou Ofício Divino, Liturgia da Palavra etc.), nas circunstâncias históricas de nossa vida pessoal e social.

Terceiro momento de ensaio: procuramos “experienciar”, vivenciar a atua­ção do Espírito de Deus em nós, na e por meio da ação ritual, “como se fosse” na própria celebração. Trata-se de cantar espiritualmente, com devoção, “de coração”, além de cantar bem e com inteligência.

Desafio para o regente ou coordenador do grupo de canto

O método proposto depende, em grande parte, da qualidade do(a) regente ou coordenador(a) do grupo de ministros(as) do can­to. Ao menos quatro exigências são impostas:

1)  Ter formação musical razoável. É desejável que nossas co­munidades e dioceses se lembrem de investir nessa formação de quem tem talento e disponibilidade para o ministério da música na liturgia.

2)  Não basta ser um bom ou excelente músico ou regente:
é preciso ainda ser um mistagogo, isto é, alguém que é capaz de
“guiar para dentro do mistério”, com um mínimo de conhecimen­to de Bíblia, Teologia, liturgia, e com experiência espiritual. Nada impede que se trabalhe em conjunto com outra pessoa, a qual se encarregue desta parte, contanto que o(a) regente não se esquive de participar desse momento espiritual, para que não se separe téc­nica de mística.

3)  No método mistagógico não cabe uma explicação fria, im­pessoal, pura nformação. Trata-se de “transmissão” no Espírito de Jesus Cristo. Ela vem carregada de experiência espiritual. Somente assim o canto, na liturgia, chegará a ser um “fato de experiência”.

4)  É preciso saber “dosar” os conteúdos e os passos. Adaptá-los a cada grupo e ao tempo disponível.

(Ione Buyst& Joaquim Fonseca, Músicaritual e Mistagogia, 2007.)

Cantar a Liturgia – parte 02

Salve Pessoas,

Dando Continuidade a Série de três post sobre Cantar a liturgia , segue o nosso segundo post . A pertinência do texto é sua capacidade de incentivar a otimização tanto espiritualmente quanto tecnicamente do nosso serviço a Deus e aos irmãos da assembléia, além de ser importantíssimo como forma de alimentar a espiritualidade dos membros  do grupo ou ministério.

Use sua criatividade para colocar em prática essa proposta no seu grupo ou ministério… será enriquecedor.

Grande Abraço

DO RITO À TEOLOGIA E À ESPIRITUALIDADE

Música Ritual

Sem dúvida, um dos maiores “atrativos” da liturgia é a música. Uma liturgia sem canto “des-encanta”! Não é à toa que as Sagradas Escrituras, e os Pais e Mães da Igreja, e os documentos oficiais so­bre liturgia insistem na importância do canto e da música. Porém, não se trata de qualquer canto nem de qualquer música! A música e o canto na liturgia são elementos intrínsecos; são parte integrante da liturgia, como diz o documento do Concilio Vaticano II sobre a liturgia (SC 112). Eles estão previstos nos livros litúrgicos, com textos próprios para cada momento ritual, cada tempo litúrgico e cada tipo de celebração. Por isso, a música para a liturgia é chamada de música ritual. Substituir a música ritual por outro tipo de música é um “crime” não somente referente à liturgia, mas relativo também a espiritualidade. De fato, se deturparmos a liturgia, que é fonte de espiritualidade, estaremos como que “envenenando” nossas comunidades com uma espiritualidade “poluída”. Impediremos que celebrem o mistério que Jesus Cristo nos deixou para que pudéssemos viver no seguimento dele, em profunda união com ele e com o Pai, no Espírito Santo. Por isso, na escolha dos cantos para a liturgia, todo cuidado é pouco: ela deve ser feita por pessoas liturgicamente preparadas para isso.

 Um caminho mistagógico na formação dos ministros e ministras

 Além da escolha dos cantos, há um outro requisito importan­te a ser considerado: a formação dos ministros e ministras da música ritual. Antes de mais nada, é preciso ter um mínimo de conheci­mento musical para trabalhar com música, na liturgia. Não basta ter boa vontade, ou uma boa voz, ou saber arranhar um violão… Além disso, as pessoas qualificadas musicalmente que se propõem a servir a comunidade com seu conhecimento musical e sua arte têm o direito de receber (e o dever de procurar) uma formação litúrgica, teológica e espiritual adequada para poder vivenciar o mistério cele­brado e, dessa forma, ajudar a comunidade a entrar no mistério e ser transformada por ele. Como fazer isto? Que tipo de formação deve ser dada? Estou propondo um método mistagógico, inspirado na catequese mistagógica dos Santos Padres, no Rito de Iniciação Cristã dos Adultos (RICA) e no método da meditação litúrgica, inspirada na lectio divina, também chamada de leitura orante; serão incluí­dos, ainda, alguns elementos do chamado “laboratório litúrgico”.

“Mistagogia” pode ser traduzido por “conduzir para dentro do mistério”. O que se entende por isso? Para ser cristão ou cristã, não basta ter um conhecimento intelectual de Cristo e de sua proposta. Não basta assumir como regra de vida algumas propostas de condu­ta moral do cristianismo. Vida cristã é, antes de tudo, adesão à pes­soa de Jesus Cristo, seguimento no caminho dele, identificação com ele em sua morte e ressurreição, em sua entrega total a serviço do Reino, “até que Deus seja tudo em todos” (ICor 15,28). Essa identificação com Cristo, essa participação mística, espiritual, vital, existencial, que envolve todas as dimensões e todos os momentos de nossa vida humana, não se faz de um dia para o outro. Ela requer um longo processo. No centro desse processo de vida cristã, encontramos a liturgia como “cume e fonte” (SC 10), como celebração memorial de Cristo, morto e ressuscitado: “Façam isto para celebrar a minha memória”. Liturgia é ação ritual que expressa o mistério de Cristo. Carrega em si a densidade teologal do mistério e sua força espiritual porque é ação do próprio Cristo Ressuscitado e de seu Espírito. Como ação sacramental, “sinal e instrumento”, não apenas explicita o mistério de Cristo, mas o realiza em nós (eficácia sacramentai). A genuína música ritual, junto com todos os outros elementos rituais, expressa esse mistério de Cristo celebrado e nos possibilita dele participar. Mas essa participação não se faz automaticamente: ela depende de nossa própria atenção e entrega (ativa, interior, consciente, frutuosa, plena…) na liturgia. A participação existencial, vital, mística passa pela participação ritual. Esta inclui e levará a um compromisso com a pessoa de Jesus Cristo e com o Reino por ele
inaugurado, que irá se estender a todas as áreas da vida pessoal
e social. Vejamos como São Gregório Magno fala dessa relação da execução musical com a compreensão teológica e com a espiritua­lidade:

“O Senhor onipotente abre caminho ao coração, pela voz da salmodia, quando esta se faz com devoção do coração, para infun­dir, na alma devota, quer os segredos da profecia, quer a raça da compunção… Quando, por meio da salmodia, infunde-se a compunção em nosso coração, abre-se um caminho pelo qual, por fim, chega-se a Jesus Cristo” (Homilia sobre o profeta Ezequiel, 76)

Uma forma simples de oferecer essa formação para os mi­nistros e ministras da música ritual é introduzi-la nos ensaios de canto. Em vez de apenas nos ater à aprendizagem e à correta exe­cução do ponto de vista musical, introduzimos um caminho mais rico. Partimos de uma descrição e de uma análise ritual do canto em questão; em seguida, aprofundamos o sentido teológico do aconte­cimento de salvação, expresso no canto, partindo de passagens das Sagradas Escrituras. Por fim, focalizamos e assumimos a atitude espiritual que o canto, como ação ritual, propõe e requer. Vejam, a seguir, a descrição dos três passos do caminho mistagógico aqui proposto. Reparem os três momentos de ensaio, acompanhando cada passo, incorporando o aprofundamento realizado.

 (Ione Buyst& Joaquim Fonseca, Músicaritual e Mistagogia, 2007.)

 No próximo post, a descrição de cada um dos passos… aguardem !

Café com Biscoitos: Escravos do porvir

Salve Galera,

Deixo pra vocês hoje uma canção de uma Banda chamada Fruto Sagrado. A canção é: ESCRAVOS DO PORVIR… café com biscoitos para refletir… ano novo, vida nova…. que a novidade faça parte do nosso coração de modo permanente e não “amarele” com o passar dos anos…

Olha quanta ansiedade
Escravos do porvir
Escravos do prazer
De se preocupar
Não sabemos descansar

Toda nossa pretensão
Do futuro controlar
Nos traz a obsessão
De saber o que virá
Nos privando do melhor
Pensamos tanto no amanhã
Mas não sabemos
Que Ele virá e nos levará
Como viemos
Pensamos tanto no amanhã…
Pobre e nu, sem mala pra arrumar
Nu, sem roupa pra usar
Nu, sem carro pra andar
Nu, de volta ao pó

Pensamos tanto no amanhã
Mas não sabemos
Que Ele virá e nos levará
Como viemos
Pensamos tanto no amanhã
Pois não sabemos
Como viemos, como viemos
Pobre e nu, sem mala pra arrumar
Nu, sem roupa pra usar
Nu, sem carro pra andar
Nu…

Cantar na Liturgia – Parte 1

“Cantar é preciso, também na liturgia. Mas não basta cantar. É preciso saborear espiritualmente aquilo que se canta. É preciso que a música, na liturgia, seja vivida como um diálogo, uma co­munhão, com Deus, de altíssima qualidade, uma participação no “mistério” do próprio Deus, revelado em Jesus, cuja memória ce­lebramos na liturgia. Como todas as coisas na vida, é preciso que se aprenda isso, num caminho pedagógico. Um dos caminhos pos­síveis é a mistagogia: o método mistagógico ajuda-nos a adentrar nesse mistério*. (…)

Cantar é preciso, também na liturgia. Mas não vale cantar qualquer coisa, qualquer música de cunho religioso, qualquer musica de nosso gosto e de nossa preferência. Na liturgia, cabe uni­camente a “música ritual”. Esse termo antropológico indica um tipo de música, presente em todas as tradições religiosas, própria para acompanhar as ações sagradas; é considerada parte integran­te destas, tendo a mesma força e eficácia. Assim, na liturgia cristã, a música ritual vem carregada de “sacramentalidade”: é atuação transformadora de Deus em nós, que nos faz participantes de sua vida divina, que aprofunda em nós a vida pascal e nos mantém no caminho do seguimento de Jesus. Substituir a música ritual por uma música religiosa qualquer (de cunho sentimental, devo-cional, catequético, querigmático ou “conscientizador”) é lesar o direito da comunidade de “cantar a liturgia”, deixando-se moldar por ela. (…)

Nós, os fiéis, somos muitas vezes “roubados(as)” em nosso direito de cantar música litúrgica: muitas vezes, os cantos não acompanham a liturgia do dia, não são ade­quados para uma celebração litúrgica, nem correspondem às exi­gências de uma música ritual. Além disso, somos submetidos(as) a uma carga insuportável de decibéis vinda de guitarras elétricas,violões, baterias e outros instrumentos em volume excessivo, de microfones em número e volume também excessivos, muitas vezes manipulados por pessoas não qualificadas liturgicamente, que usam o momento e 0 espaço litúrgico para dar seu show, para derramar seus sentimentos.

Que possa a insistência na mistagogia levar as comunidades , um aprimoramento da música ritual, que é tão necessária como .ilímento de nossa vida espiritual.”

(Ione Buyst, Música Ritual e Mistagogia, 2007)

* O termo mistagógico vem da língua grega e é composto  por outros dois que significam respectivamente “mistério” e “guiar, conduzir”. Assim, o mistagogo quer dizer quem conduz para dentro do mistério.

 

Teologia é coisa de Gente!!

“Teologia é um jeito de falar sobre o corpo.

O corpo dos sacrificados.

São os corpos que pronunciam o nome sagrado:

Deus…

A teologia é um poema do corpo,

O corpo orando,

O corpo dizendo as suas esperanças,

Falando sobre o seu medo de morrer,

Sua ânsia de imortalidade,

Apontando para utopias,

Espadas transformadas em arados,

Lanças fundidas em podadeiras…

Por meio dessa fala

Os corpos se dão as mãos,

Se fundem num abraço de amor,

E se sustentam para resistir e para caminhar.”

Rubem Alves (1981)