Encontros:Intimidade e Experiência Estética

Dizer o que somos é também falar dos encontros que fomos capazes de promover ao longo de nossa existência mas também dos desencontros que fomos capazes de provocar (ou sofrer)… a matéria prima onde é plasmada a nossa identidade é feita de encontros e despedidas (como na canção de Milton Nascimento) .
Essa semana refletia na possibilidade de que todo o encontro é como que uma experiência estética… hum… vamos chamar logo alguém pra nos ajudar nesse café….Café expresso… e quem nos ajudará na “alquimia cafeínica” de hoje é o Filósofo e Teólogo Suíço Urs von Balthasar (1905)…ele escreve uma obra chamada Uma Estética teológica, em que faz uma leitura da Revelação cristã em termos estéticos, porém o que vai nos interessar para a nossa prosa de hoje é a idéia de que, inserir o elemento estético como chave da experiência do encontro,  não debilita nem minimiza o objeto a uma realidade evasiva e abstrata (no caso de von Balthasar, a Revelação Cristã), mas antes,  pode abrir para acolher o fenômeno, mesmo que esse se apresente de modo limitado e incompleto,  em toda a sua complexidade. Explico melhor – eu espero mesmo explicar melhor…rsrsrs – , sem a experiência estética, não é possível nenhum conhecimento verdadeiro e autêntico, pois embora possamos enquadrar as realidades em categorias de verdade e justeza como também julgar a sua relevância para o nosso bem estar,  sem a ATRAÇÃO (ferramenta estética)  elas não teriam força de personalização, de quebrar a vitrine e sair da condição de algo que observamos sem um envolvimento, para se tornar ENCONTRO. Convido a senta-se à mesa pra o nosso café, a também genial Adélia Prado: “Não quero a faca nem o queijo, quero a fome!” A unica coisa que é nossa nos encontros que estabelecemos na vida, não é o objeto desejado, mas a fome, o desejo. Essa é a porta que nos é aberta como possibilidade de encontros autênticos. O outro tem algo que em mim falta, é “devir” e possibilidade (ENCONTRO) ou outro trouxe algo que em mim sobra, é excesso e ocupa o um lugar que não lhe pertence (DESPEDIDAS).

Viver é saber-se portador de uma beleza a ser desvendada para aquele que tem paciência e descobriu o valor da espera. Que compreende o valor e a importância dos processos. Acolher essa realidade que nos enriquece do outro e o outro de nós, é um jeito muito bonito (estética de novo..rsrsrs) de ser gente. Precisa tempo, precisa trabalho, empenho, pois encontrar os outros de verdade não é fácil e acreditem, tem muita gente se esbarrando por aí. Pós-modernidade do “esbarrão”… Falsos encontros não enriquecem realidades, não criam espaços comuns de autenticidade, são donos de uma beleza efêmera e não são capazes de ver além do parcial e fragmentado. E por isso mesmo: Pós modernidade da Performance!

Matamos as potencialidades pessoais desse ser nascido para o encontro e a intimidade e que se nutre justamente da qualidade dos encontros que faz.
Por que se formos honestos, não conseguimos dizer com clareza quem somos,
deixando de fora aquilo que fomos capazes de congregar na nossa intimidade.

A intimidade é o que nasce do encontro verdadeiro, é esse o “espaço” em que congregamos nosso real, nossos desejos e sonhos, nossas esperanças e lutas, nossas histórias e saudades… neste espaço chamado “nós”.

No “nós”, apenas você e eu temos a chave. E na medida que isso cresce vamos tendo menos coisas a colocar nesta casa feita pra acolher a totalidade do outro. De maneira que não é mais possível conjugar o “nós” sem ter na sua perspectiva uma doação total do que se é e um acolhimento total do que o outro é. A intimidade tende naturalmente para a totalidade dos “EUs” empenhados numa trama interpessoal que se chama “NÓS”.

Neste fim de semana passei bons momentos na casa de um casal amigo com pessoas que embora vendo-os sempre, pelas circunstâncias profissionais à muito não os encontrava. Gente que encontrei verdadeiramente na vida. Encontros verdadeiros, muita coisa já congregada, muita vida já partilhada
Tinham o poder de me fazer desejar ser mais eu, me lembravam coisas que
um dia coloquei no espaço da intimidade e como um papel velho lançado
no fundo de uma gaveta eu já havia esquecido.

Há lugares de nossa vida que esquecemos de cuidar por que já nos acostumamos e diminuímos o seu valor como uma luz que esqueci de apagar ontem… achei que tinha feito… me acostumei a apagar luzes sem prestar atenção.
Do mesmo modo acostumamos-nos a nos olhar apressadamente, com olhar de críticos de arte, estética mórbida, astigmática, luzes difusas e dispersas que não encontram ninguém pois pederam a capacidade de foco, só enxergam multidão: despedidas “sem querer … querendo” (como dizia o Chaves da TV) . Mas sendo franco, fico feliz porque na vida existem encontros de verdade. Realidades que nos apontam para o nosso destino o tempo todo. Naquele papel no fundo da gaveta, que mencionei acima, estava escrito: Você não tem o direito de me imaginar.

Por Danillo Holzmann

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